Lembro-me quando era criança de ter a minha a mãe a ralhar comigo por causa que eu andava à chuva, ficando todo molhado, e sujava a roupa toda com lama, ralhava ela muito comigo por causa dessas razões até que cheguei ao ponto de fazer o que ela dizia e deixei de andar intensivamente a chuva, ou de ir para a lama, acho que foi por causa que já me sentia crescido ou então foi desta que o meu cérebro aceitou a ordem da minha mãe de uma vez por todas...
Mas no entanto, vejo que ninguém se importa com isso quando está a ser "atacado" por muitos problemas, aprendi isso hoje, enquanto chovia, enquanto eu estava bastante fragilizado, enquanto tu passavas-me pela cabeça, vagueando no meu vazio interno, corrompendo tudo o que tinha ainda de bom, mas a culpa não era tua... Era simplesmente minha pois eu é que tinha deixado tu entrares cá para dentro, a minha fragilização tinha deixado tu entrares pensando que seria melhor para mim, pensando que me irias salvar desta doença que me corrompia por dentro, pensando que irias salvar-me de todos os males do mundo e proteger-me de.... de pessoas como tu... Tão boas que até parecem duma série de televisão, mas a realidade é que todos as outras pessoas que parecem como personagens de uma série não são nada do que parecem no entanto tu... tu és tudo o que pareces, és a bondade em pessoa, és o amor em pessoa para mim, és a vida para mim e ver-te afastada faz-me ver que afinal és tudo para mim mas eu não sou nada para ti...
Patético não é?
A minha cabeça ás vezes prega destas partidas estúpidas, partidas que me destroem a sanidade, ora vê-me lá tu irias me proteger de ti mesma... Resultado? Destruição completa do juízo, sanidade, tudo o que me punha lúcido, para ficar sem a minha bondade e começar a ficar no que outrora fui, um diabo andante...
Nunca desejei ser tal coisa sempre desejei ser o "anjo" que mostro ser mas, o meu diabo sai sempre quando eu fico doido, quando fico... eu!
Quando era pequeno, sonhei de um inferno, um inferno laranja, azul, vermelho, com chamas de muitas cores e feitios, catedrais góticas inteiramente infernais, com desenhos eternamente horríveis....
Para uma criança como eu claro que pensei que isto seria um pesadelo, mas mais tarde revelou-se um grande sonho, um sonho espectacular, (pessoas pensariam que eu seria doido, mas não...) pois eu quando era pequeno eu... Eu era rejeitado, odiado, posso mesmo dizer espancado... E nunca tive ninguém para me proteger... Nesse dia, aconteceu algo muito horrível, o João inocente, parvo, tão ingénuo, tinha desaparecido, tinha aparecido algo diferente, "um pequeno demónio" (Little Devil) diziam eles, e eu ria doidamente, catastroficamente atacava ele, uma mão atrás de outra na cara, enquanto ele olhava para mim com um medo constante, a culpa era dele... sempre me maltratou naquela escola... Não era eu mas... eu gostava daquela sensação de poder, uma sensação total de horror que se via nos olhos deles, que até se podia saborear, só mesmo vendo!
As pessoas tinham visto o demónio que existia dentro de mim, que gritava loucamente para sair, e eu que naquele momento, fragilizado, dei um pouco de folga e ele puxou-me a corda toda destruindo tudo a sua frente...
Só parei quando desmaiei... Os meus pais levaram me para casa, e colocaram-me na cama, deixando-me sonhar em paz...
E lá estava eu naquele sonho interno, num inferno que era magical... Pelo menos para mim era, era unicamente espectacular!
Após de ter andado pelo menos 3 horas (no sonho) encontrei um grande palácio negro, um palácio bonito à sua maneira, a porta desse palácio era mais negra que o negro, abriu-se automaticamente... Entrei... Um corredor longo cheio de tochas, e lá mesmo no fundo uma sala, que daqui era escura fui andando e há medida que ia percorrendo o longo corredor sentia-me observado...
Cheguei à sala, era uma sala normal de casa...Espera, era a minha sala... Estava uma pessoa sentada no grande cadeirão de madeira de carvalho, baloiçando, para trás e para a frente, tão lentamente mas ao mesmo tempo tão rápido e magistralmente, que até fazia uma pessoa hipnotizar-se a olhar para aquele, para trás e para a frente, mas o que ocorreu a dizer era que o meu pai odiava que baloiçassem nesse cadeirão... Ouço um riso profundo e alto, e depois já não via ninguém no cadeirão pois estava lá eu, uma pessoa cujo eu não vi o rosto diz-me:
-- A vida é para ser aproveitada ao máximo, se as regras forem inventadas para te impedir de fazer algo quebra elas e faz o que queres, pois tu, vais ser grande à tua maneira, vais ter sucesso no que te empenhares de coração, mas vais sofrer tanto, mas tanto, que voltarás a ver esse "demónio" que viste hoje fora de ti outra vez...
Nessa altura voltarás a falar comigo, e eu relevarei-te o segredo da tua vida...
Quando dou por mim estou acordado, a olhar para o tecto do meu quarto a pensar, o que aconteceu?
Levantei-me e fui há janela... Estava a chover, uma chuva forte, continua, tão continua que parecia que ia ser eterna... Estava uma trovoada também, uma trovoada fenomenal (quando era pequeno tinha muito medo de trovões) e naquele momento, vi o maior relâmpago da minha vida e em vez de fugir com medo, não, fiquei a olhar para ele sem medo, em vez disso, estava interessado nele, sentia ele a entrar dentro de mim, e comecei a rir, ri porque já não tinha medo, o João medroso, parvo, ingénuo tinha desaparecido e um novo João tinha aparecido, um João, posso dizer, mau, agressivo, sem medo, mas ao mesmo tempo pronto a ajudar quando necessário, amoroso e único, pois eu agora não era como as outras pessoas eram.. Eu agora sou um anjo negro pronto a matar, um diabo único, disfarçado de pessoa para se integrar melhor na sociedade!
Agora vendo que nunca me pertencerás esse ódio está a voltar.. e eu... em vez de abraça-lo estou a deixa-lo ir, e sabes porquê?
Porque não te quero magoar, psicologicamente e fisicamente, não quero te ver sofrer pois isso iria fazer-me sofrer, visto que tu és a minha vida...
E lá fico eu agora à chuva, a molhar me intensamente mas não interessa pois ninguém poderá ver as minhas lágrimas por ti.... E só isso interessa agora... Pelo menos só neste momento...
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