quinta-feira, 4 de março de 2010

O Sonho dos Infinitos

Viver sem ti custa mas vai passar agora que sei que estás em segurança, agora posso ser menos infeliz, agora posso sonhar...
Pelo menos achava eu antes de me deixar de dormir, pensava que tudo seria um espectáculo a partir de hoje...
Estou num planalto longo, diria infinito, verde, do mais verde que podia haver, aquele verde que quando olhamos ficamos obcecados.
Tu estavas lá no fundo, e pelo o que me parecia a chorar... Fiquei literalmente em pânico, pois isso estragaria a minha felicidade (pois só estaria feliz se tu tivesses) então corri, corri loucamente sem meias medidas, saltava poças de água que estavam no meio do caminho, às vezes via uma ou outra flor queimada... Porque estariam flores queimadas num meio de um planalto tão bonito?
E ocorria-me essa questão e mais meio milhão delas na minha cabeça, mas a que mais pensava era porque tu choravas num dia tão perfeito, num dia em que tu deverias estar feliz...
Para que eu pudesse estar também...
À medida que corria mais, mais triste ficava embora não percebesse, serias tu? Duvido era impossível, tu nunca me farias triste, só me farias feliz com esse sorriso sol...
E enquanto corria loucamente para ti vejo que não chegava perto de ti nunca mais... Queria te confortar e não podia...
Loucura a crescer mais, a agonia de não te poder ajudar, e num segundo ouço uma pinga de água a embater no solo viçoso, noutro uma chuva bastante intensa a embater no solo, mas desta vez era um solo ressequido e seco, todas as plantas a ficarem queimadas, a cada passo que dava ouvia o chão a rachar.
Olhei para trás e vi, aquele planalto lindo e calmo, a ir embora sem me pedir autorização, deixando-me a correr num outro sub-mundo desconhecido...
Demorei tanto a correr para chegar a ti, mas agora estava mesmo muito perto, poderia salvar-te dessa tristeza que me entristecia também..
Cheguei perto de ti, e perguntei para mim mesmo porque estarias a chorar num sitio como este? Estarias perdida no teu sonho? Nesse caso vou te salvar deste pesadelo e levar-te para o meu sonho para descansares em paz..
- Não me levas, não! Este é o meu sonho, pára de interferir com tudo o que é meu!
Silêncio... Eu em pleno choque, abdiquei de novo tudo para ti e de tudo o que eu abdiquei tu deitas-me fora... Como se nada fosse, destróis-me e continuas a chorar, e o mais engraçado é que começo a chorar, não sei porquê, mas começo...
E lágrima atrás de lágrima, vi uma coisa em ti diferente,algo que qualquer pessoa teria reparado em menos de um segundo eu só reparo agora...
Tens asas, umas asas reluzentes brancas, emitiam uma luz que acalmava, um branco baço que faria deixar dormir qualquer pessoa... Mas a mim não fazia, não sabia porquê, talvez porque tivesse consumido demasiado ódio por ti... Talvez já não me fizesses efeito nenhum a não ser no coração, então decido ir-me embora, mas quando me voltei reparei que também tinha asas, umas asas negras brilhantes, que espalhavam uma aura negra sobre mim e enchiam me de ódio e terror.
Era por isso que chorava, porque este ódio consumia-me e não gostavas de mim por causa disso...
Tudo me corria bem, mas na mesma corria-me tudo mal!
Sem dúvida uma contradição cruel!
Então a luz tentava entrar em mim e eu simplesmente em gozo fechava os olhos para a evitar, e mais a escuridão consumia-me e eu ria pois sentia-me tão bem a ser negro, a ser mau, a ser o contrário de ti, e neste momento, neste estado não me sentia mal, não me doía o coração pois tinha sido reposto por uma pedra fria a escaldar...
Escaldar de quê se estava fria?
A escaldar de crueldade, de... ironia da vida!
Então fartei comecei a voar para longe para um sitio onde não me visses, um sitio onde me deixasses, onde eu me deixaria corromper ao máximo para nunca mais sentir dor... Mas enquanto voava notei que estava a fazer isto sem pensar em todos os que me adoravam...
Sem pensar nos meus amigos, sem pensar na familia, sem pensar na facilidade que estava a dar-te porque estava a fazer-te a vontade...
Então decidi enquanto voava em ventos sem fim, que nunca daria facilidade a ninguém pois ninguém merece a minha fragilidade, a minha escuridão a não ser a minha ignorância...
Do nada estou de novo naquele planalto fresco sem asas, de novo no velho eu, e via todos os que me adoravam a acenar lá no fundo para mim...
E tu estavas lá...
Mas porquê?

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